sábado, setembro 4

México é o país mais violento para jornalistas na América Latina

A violência extrema contra os jornalistas no México foi tema de uma mesa exclusiva nesta Conferência Latino-Americana de Jornalismo Investigativo. Carlos Lauría, do Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) – entidade que registra ataques contra repórteres e meios de comunicação – começou sua fala dizendo que o México é o país mais perigoso para o exercício do jornalismo na América Latina, superando inclusive a Colômbia.

De acordo com ele, o país registrou uma quantidade de assassinatos superior à do Iraque, em 2009. Muitos jornalistas mexicanos também estão exilados neste momento e 90% dos crimes contra a liberdade de imprensa seguem impunes.

Uma consequência imediata da violência, segundo Laurí, já é a autocensura dos veículos devido à falta de garantia e segurança. Com isso, os jornais acabam deixando de informar questões que afetam diretamente a vida das populações locais.

Um caso emblemático citado na apresentação foi o sequestro de quatro jornalistas de emissoras de TVs mexicanas por narcotraficantes. Para a liberação, eles exigiram a veiculação de um vídeo contra um cartel opositor, condição que foi aceita pelos veículos. Os jornalistas foram liberados depois de poucos dias. Com isso, o CPJ alerta para o poder dos narcotraficantes no controle da informação.

Martín Orquíz, do jornal El Diario, relatou os casos de violência em Ciudad Juárez, uma das mais violentas. Nessa região, cerca de 230 mil pessoas deixaram a cidade com medo da violência e em função dos diversos problemas econômicos. Equipamentos jornalísticos são facilmente apreendidos pelos traficantes de Ciudad Juárez e cenas de corpos resgatados são comuns na cidade.

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